Teste identifica pacientes de melanoma com alto risco de metástase em grupos considerados de baixo risco

Um teste em desenvolvimento nos Estados Unidos pode se tornar, no futuro, uma  valiosa ferramenta para o tratamento do melanoma e a melhor compreensão da doença. O teste  de expressão gênica do melanoma (GEP, na sigla em inglês) pode detectar pacientes  com maior chance de desenvolver metástases ou mesmo falecer em decorrência da neoplasia, em grupos considerados de baixo risco pelos critérios tradicionais.

O teste se vale da biologia tumoral para estabelecer o risco de recorrência, independente de como o paciente seja classificado nos critérios tradicionais. Por meio da análise dos tecidos do tumor primário, o teste mede a expressão de 31 genes.

Um estudo multicêntrico verificou a eficácia da ferramenta. O trabalho, publicado na revista da Academia Americana de Dermatologia, avaliou 690 pacientes classificados como de baixo risco para recorrência da doença, divididos em três grupos: indivíduos resultados negativos na biópsia do linfonodo sentinela, indivíduos com tumores nos estágios I a IIA e indivíduos com tumores pequenos, menores do que um milímetro.

Nesses três grupos, o teste foi realizado para estabelecer uma classificação molecular para cada um dos pacientes. A Classe 1A indica a menor chance de metástases em cinco anos, e a classe 2B indica a maior chance. Os pacientes tinham, em média, 59 anos e espessura de Breslow de 1,3 milímetros. Em 70% dos casos, os tumores estavam nas fases I e II.

O trabalho trouxe alguns resultados interessante. Por  exemplo, dentre os pacientes com linfonodo sentinela negativo, 70% dos casos que sofreram metástases foram classificados como Classe 2, ou seja, alto risco de metástase.

 No caso dos  tumores finos, embora a maioria dos pacientes estivesse classificada como Classe 1, houve 15 casos que se classificaram como Classe 2B, ou seja, alto risco de recorrência. Esses pacientes classificados como 2B tiveram uma taxa de sobrevivência livre da doença significativamente menor do que a da Classe 1A.

Para Dr. Rodrigo Munhoz, oncologista clínico e membro do Comitê Científico do Instituto Melanoma Brasil, o estudo trouxe resultados muitos interessantes, que modificam a forma de entender o risco de evolução do melanoma.

“Sempre utilizamos critérios tradicionais, como profundidade do tumor, estadiamento etc., mas ainda não tinha sido possível incorporar  outras variáveis do melanoma, sobretudo moleculares, e é isso que o teste oferece”, afirma. “Sabemos que existem tumores que têm as mesmas características e, mesmo assim, acabam se comportando de formas diferentes. A caracterização molecular que o teste propõe ajuda a entender essa diferença.”

O teste ainda precisa passar por novos estudos e não está disponível no mercado, mas tem potencial para se tornar uma ferramenta relevante.

“Talvez, num futuro, ele nos permita melhorar a compreensão do risco de um melanoma se comportar de forma desfavorável, e traz para a prática clínica um pouco do refinamento que acompanha os avanços das técnicas moleculares”, finaliza Dr. Rodrigo.

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