Existe bronzeamento seguro?

 Todo ano, no verão, começa a corrida pelo bronzeado perfeito. Mas, do ponto de vista dermatológico, precisamos lembrar: não existe bronzeamento saudável  que envolva a exposição à radiação ultravioleta. Nesta entrevista, a dermatologista Ana Cristina Guimarães Martins, nossa consultora médica, explica por que a pele escurece quando exposta aos raios ultravioleta e quais os riscos de tomar sol na laje ou usar câmaras de bronzeamento. Para quem não resiste a exibir um tom de pele dourado, ela dá uma dica certeira: os cremes autobronzeadores são uma alternativa segura, que não predispõe risco de câncer de pele e outros problemas.

Em primeiro lugar, queremos entender exatamente o que é o bronzeamento. Por que a pele fica mais escura quando exposta à radiação ultravioleta?

O bronzeado nada mais é do que uma defesa natural da pele contra a radiação ultravioleta emitida pelo sol ou por fontes artificiais, como as câmaras de bronzeamento.  Os raios ultravioletas danificam o DNA e nosso organismo, para se defender, produz mais melanina, o pigmento que dá cor à pele Após algum tempo de exposição, a melanina migra para as camadas mais superficiais da pele, escurecendo-a. A melanina absorve a radiação ultravioleta, e impede que os raios penetrem ainda mais profundamente na pele.

Que riscos o hábito de se bronzear pode trazer?

Exagerar na exposição à radiação ultravioleta pode trazer diversos riscos à saúde, como rugas, manchas e envelhecimento precoce.  Os excessos também aumenta o risco de câncer de pele, incluindo o melanoma, o tumor cutâneo mais agressivo e letal, que provoca em torno de 1,5 mil óbitos por ano no Brasil. Não podemos esquecer que os raios ultravioletas têm efeito cumulativo. As consequências da exposição excessiva podem levar muitos anos para se manifestar.

Os adeptos das câmaras de bronzeamento artificial alegam que o método é mais seguro que a exposição ao sol, pois não causa queimaduras ou avermelhamento. No entanto, o uso estético dos equipamentos foi proibido no Brasil pela Anvisa em 2009. Por que elas são tão perigosas?

As câmaras de bronzeamento predispõem ao câncer de pele e ao envelhecimento cutâneo, pois são uma potente fonte de radiação ultravioleta A (UVA). Esta radiação é o principal responsável pelo envelhecimento precoce , além de aumentar as chances de desenvolver câncer de pele. Os raios UVA penetram profundamente na pele, alterando as fibras elásticas e de colágeno, levando a rugas, perda da elasticidade e manchas.

Não ocorre vermelhidão após o uso das câmaras, pois a radiação ultravioleta B, responsável por deixar a pele vermelha, está presente em menor dose. O fato de a pele não ficar vermelha ou não haver queimaduras traz a falsa sensação de segurança, mas isso não poderia estar mais longe da verdade. Como falamos, os danos da radiação ultravioleta são cumulativos e podem levar anos para se manifestar.

Em 2009, aliás, a OMS classificou as câmaras de bronzeamento como agentes altamente carcinogênicos, no mesmo patamar que o cigarro. Estudos apontam que podem aumentar em 75% o risco de melanoma. Neste mesmo ano, a Anvisa proibiu o uso estético dos equipamentos, uma decisão pioneira e celebrada por organizações de saúde nacionais e internacionais. Muitos países tentam seguir o exemplo do Brasil!

Aproveito para fazer um alerta. Diversas clínicas de estética têm oferecido câmaras de bronzeamento “seguras” e “autorizadas pela Anvisa”. Isso não é verdade! Não existem câmaras de bronzeamento inofensivas à saúde e os equipamentos seguem proibidos no país até hoje!

Agora surge uma nova onda, o bronzeamento em lajes. Podemos dizer que os riscos causados pelas duas técnicas são os mesmos?

Sim, a finalidade desta forma de bronzeamento é puramente estética, ocasionando danos ao DNA celular, predispondo ao câncer de pele, além do envelhecimento precoce. Não é uma forma segura de bronzeamento. O dano ficará acumulado na célula e mais cedo ou mais tarde as consequências  virão.

Os riscos de uma pessoa desenvolver melanoma com bronzeamento artificial é maior do que a de desenvolver devido à exposição solar?

As duas formas são perigosas, pois há variáveis como intensidade da radiação, frequência da exposição. Sem dúvida nenhuma forma é segura. Devemos deixar claro que a exposição solar deve ser com o objetivo de lazer e não pigmentação cutânea. A partir do momento em que há pigmentação já significa que houve dano celular e tentativa de proteção da própria pele em resposta ao estímulo da radiação, e, portanto, houve aumento do risco de desenvolver um câncer de pele.

Existe alguma forma de bronzeado seguro?

Não podemos falar em bronzeado seguro quando isso envolve a exposição à radiação UV, seja através de fontes naturais, como o sol, ou artificiais, como as câmaras de bronzeamento. A exposição ao sol deve ser feita sem exagero, fora do horário de pico e sempre com o uso de filtro solar com FPS 30, no mínimo para áreas corporais e 50 para o rosto (área nobre exposta o ano todo) e outras barreiras físicas de proteção. Já as câmaras de bronzeamento são um perigo e não devem ser usadas.

No entanto, existe uma alternativa segura para quem não resiste a pegar uma corzinha: os autobronzeadores. Esses produtos são aplicados diretamente na pele e não requerem exposição aos raios ultravioleta Eles  contêm dihidroxiacetona, substância que promove uma reação química na pele que a escurece, pigmentando sua camada mais externa e gerando uma cor similar ao bronzeado.

Por que os autobronzeadores são seguros, e como eles podem ser usados?

Os autobronzeadores são seguros pois não  danificam o DNA e não estimulam a formação de melanina, mas sim “tingem” a pele. O único risco é o de  alergia. Antes,  o ideal é fazer um teste numa pequena área . Se não houver reação alérgica e a cor estiver adequada ao seu tom de pele, pode  usar no restante do corpo. O autobronzeador deve ser reaplicado em média a cada dois a cinco dias, para que a cor seja mantida. No rosto, usar preferencialmente os produtos oil-free para evitar cravos e espinhas.

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