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A enfermeira Karen Fizinus tomou muito sol desprotegida quando criança e nunca se preocupou com as pintas em seu corpo. Na infância, achava até charmoso quando surgiam novos sinais. Mesmo sendo uma profissional de saúde, jamais imaginou que pudesse haver algo errado com alguns deles. Em janeiro deste ano, por insistência do marido, removeu uma pinta estranha que tinha nas costas e levou um susto ao descobrir um tumor spitizoide atípico, que tem potencial maligno incerto e muitas características do melanoma. Hoje, ela aproveita essa experiência para conscientizar as pessoas sobre o câncer de pele. Confira o relato dela:

“Nunca liguei para as minhas pintas em meu corpo! Apesar de não serem muitas, quando criança, adorava que um novo sinal surgisse… Achava até “charmoso”. Na infância,  sempre gostei de brincar ao sol. Íamos ao lago: eu, meu irmão e meus primos. Ficávamos acampados durante alguns finais de semana e feriados. Lembro-me de inúmeras vezes que tivemos que passar hidratante a noite no corpo para dormir, de tão vermelhos pela exposição solar.  Nunca me esquecerei quando, após um dia de sol sem proteção, queimei até o couro cabeludo. Mas, mesmo assim, dificilmente usava filtro solar, nem mesmo quando íamos a praia ou piscina. Preciso confessar: tive muitos anos de exposição solar desprotegida.

Em janeiro de 2020, resolvi tirar uma pinta nas costas por insistência do meu marido. Ele dizia que a pinta estava feia e tinha crescido. Como na minha cabeça eu sempre tinha tido aquela pinta e ela só havia aumentado um pouquinho de tamanho, não me incomodei.

Em 31 de janeiro de 2020, antes que minhas aulas começassem, resolvi ir ao oncologista para retirá-la. Na avaliação clínica, o médico confirmou a necessidade da remoção. Disse ainda que deveríamos aguardar o resultado da biopsia, pois não havia claramente característica de ser um melanoma. Como eu sempre achei que não fosse nada sério, novamente nem dei importância.

Passou-se uns quatro dias e recebi uma ligação do consultório para adiantar o retorno.  Eu ia viajar e propus ir na semana seguinte. Então já deixei agendado para segunda feira, assim que eu retornasse da viagem, mesmo a secretária insistindo para eu passar rapidinho lá, antes de ir.

Como eu estava organizando várias coisas naquele dia, nem dei importância para a necessidade de adiantar o meu retorno. Mas, quando voltei para casa, imaginei que havia algo errado; não iriam adiantar a consulta se estivesse tudo certo! Falei com meu marido, e ele como médico, foi atrás para saber do resultado, mas não me falou nada, afinal já era sábado e teríamos que viajar.

No domingo à noite, quando estávamos em casa já, meu marido me chamou para conversarmos, e contou que o resultado da biópsia foi de melanoma. Na manhã seguinte teríamos de ir ao oncologista para saber dos próximos passos.

Receber essa notícia me tirou o chão. Tentava ser forte suficiente para não chorar, mas não consegui. Só pensava em meus filhos, um com 8 anos e outro com 7 anos. Imaginava que não iria vê-los crescerem e cada vez que eu pensava me sentia pior, me desesperava mais. Meu mundo naquele momento tinha acabado, por mais que meu marido me explicasse, que não era assim como eu estava pensando. Quando somos da área da saúde, costumamos enxergar o pior lado quando somos nós mesmos os afetados. Enfim, passei aquela noite acordada na cama, entre chorar e parar de chorar, até amanhecer. No dia seguinte, fui atrás de todas as minhas fotos de biquíni, para conferir se a pinta tinha crescido mesmo. E para minha surpresa, descobri que ela não existia em julho de 2018 e só apareceu depois desta data.  O sinal surgiu e cresceu nos últimos 2 anos e meio. E com isso pude perceber, que falhei no autoexame de pele, e que nunca dei atenção às minhas pintas. Apesar de ir ao dermatologista com frequência, nunca relatei sobre elas.

Quando cheguei ao consultório médico, ele me explicou tudo, mas eu ainda continuava chorando, desanimada e sem chão. Ele relatou que antes de qualquer conduta, tínhamos que esperar o resultado do imuno-histoquímico para confirmação do diagnóstico. Essa espera foi terrível, acho que a pior de todas, os dias não passam, mas no fundo eu não queria acreditar no resultado do exame. Foram dias angustiantes, até que no dia 12 de fevereiro, veio o resultado de “Tumor de Spitz Composto Atípico”. Não sabia se ficava feliz ou triste, pois esse tumor tem um potencial maligno incerto, pois tem algumas características do melanoma e que pode ser sim confundindo com o câncer de pele mais perigoso.  E que a maioria dos médicos o conduzem como melanoma, devido ao seu comportamento atípico (benigno ou maligno).  Com o diagnostico em mãos e junto com meu médico, decidimos em fazer a ampliação das margens e a retirada do linfonodo sentinela no dia 13 de fevereiro.

 Os resultados dos exames foram: linfonodos sentinela e axilar negativos para micrometástase. Nessa hora, apesar de sofrer com a cirurgia, nada foi tão satisfatório como receber o resultado negativo.

Para mim hoje, falar sobre Tumor Spitzoide Atípico, é uma forma de falar para mais pessoas sobre a importância do autoexame da pele para uma detecção o mais precoce possível.  Muitas vezes, nem percebemos e nem temos informação sobre isso. Vejo por mim: como enfermeira, nunca tinha parado para pensar que a pinta poderia ser um tumor. Durante todo esse tempo, foi através de grupos na internet e do Melanoma Brasil que eu descobri que não estava sozinha nessa causa. Por isso decidi compartilhar a minha história, para que outras pessoas possam se identificar e diminuir um pouquinho da sua angústia nesse momento.

Hoje sigo em acompanhamento médico, fazendo exames e a dermatoscopia anual, e dividindo minha história sempre que posso, para que as pessoas possam multiplicar cada vez mais as informações e tratarem o mais precocemente possível. Estou fazendo quase seis meses do meu diagnóstico, e posso dizer que sim… eu senti na pele!”

 

 

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