Eu senti na Pele – Fernanda Moro

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Não apenas os pacientes saem marcados pelo tratamento de um melanoma. Familiares e pessoas próximas também sentem na pele, ainda que de um jeito diferente. A educadora Fernanda Moro sabe o que é isso. Desde 2013, acompanha a irmã mais velha, Juliana Moro, que trata uma lesão no couro cabeludo e, aliás, é vice-presidente do Instituto Melanoma Brasil. Fernanda vive essa história com a bagagem de quem está acostumada a compartilhar muita coisa com a irmã. Veja o que ela tem a contar:

“Sou a caçula de três filhos. Tenho uma relação de total proximidade com a Juliana, quatro anos mais velha. Dividimos o quarto na infância e desde então seguimos partilhando tudo: os sonhos, as conquistas, as experiências, ela sempre referência em minha caminhada. Foi graças à Ju que tive o prazer de ser tia. Quando engravidou de uma menina, foi uma festa. Primeira sobrinha, primeira neta, uma criança esperada por toda a família. E justamente quando estávamos curtindo o sexto mês de gestação recebemos a notícia: a lesão que minha irmã encontrara no couro cabeludo algumas semanas atrás era melanoma.

O diagnóstico trouxe um baque. Não éramos ignorantes em matéria de exposição segura ao sol, mas “melanoma” até então era algo de que apenas tínhamos ouvido falar. De toda a família, ela parecia a menos propensa ao câncer de pele, já que não tinha histórico de queimaduras.

 Acompanhei-a à primeira consulta com a oncologista, junto com o meu cunhado. Naquele momento estávamos um pouco perdidos, ainda mais por causa da gravidez. Como toda futura mamãe, Ju só perguntava sobre o bebê! A médica tinha pouca experiência no assunto, mas logo encontramos novo profissional com expertise em melanoma e gestação. Foi preciso antecipar o parto e fazer uma cesárea, mas deu tudo certo.  Ju iniciou o tratamento com medicação e cirurgia logo após o nascimento da Clara, minha sobrinha querida, que hoje tem quase quatro anos.

Um tratamento oncológico gera um turbilhão de emoções para o paciente e a família. Nem sempre você sabe o que fazer. Não existe receita. Precisa de abertura para lidar com as sensações e contradições dessa situação. Às vezes está tudo bem e, de repente, as coisas mudam. Busco trazer a maior leveza possível e me manter por perto para o que  ela precisar, seja um colo, um momento de junk food  ou ajuda com os serviços domésticos. Tento deixá-la livre para expressar seus sentimentos, sem forçar um clima de otimismo o tempo inteiro.  Enfim, procuro fazer o melhor que posso, lembrando que quem sabe o que é melhor para a Ju é a própria Ju, não eu.

Importante não esquecer que, ali onde enxergamos um paciente, continua existindo uma pessoa. Uma pessoa como outra qualquer, que tem desejos, vontades e preocupações, momentos de bom e mau humor, dias melhores e piores. Não precisamos infantilizá-la, tratá-la com condescendência ou disfarçar nossas emoções porque ela tem câncer. Ela pode e deve tomar as rédeas da sua vida. O paciente é muito maior que o câncer.

Desde aquela primeira consulta ao médico até agora, Ju e eu permanecemos com a proximidade de sempre. Além dos cuidados com a casa, o marido e a filha, Ju trabalha a mil por hora. Acompanho com orgulho sua página Um melanoma em minha vida, onde generosamente divide um pouco da sua história. Me emociona o carinho que recebe de tantas pessoas que, em sua maioria, sequer a conhecem. Admiro o seu empenho e dedicação ao Instituto Melanoma Brasil, onde dialoga com outros pacientes e faz um trabalho primoroso. Nem sei como consegue se dedicar a tantas frentes ao mesmo tempo, mas é um ótimo combustível para andar para frente. Sem dúvida alguma, minha irmã é uma grande guerreira!”

 

 

 

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