Destaques do ASCO 2021 para melanoma

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Entre os dias 4 e 8 de junho, ocorreu o congresso anual da ASCO (Sociedade Americana de Oncologia Clínica). Maior evento mundial do gênero, o congresso trouxe novidades e resultados promissores quanto ao tratamento do melanoma. Dr. Rodrigo Munhoz, oncologista clínico e membro do Conselho Consultivo do Instituto Melanoma Brasil, participou do evento e resumiu os principais destaques do ASCO 2021 para melanoma.

 

Melanoma de mucosa

 Ao menos dois trabalhos apresentados no ASCO abordaram o manejo do melanoma de mucosa, um subtipo raro. De acordo com Dr. Rodrigo, os trabalhos combinaram diferentes estratégias para o tratamento do melanoma de mucosa: um para estágios avançados e outro para a neoadjuvância.

No caso da doença avançada, os resultados foram promissores. “Combinou-se atezolizumab e bevacizumabe, ou seja, uma droga-alvo e uma imunoterapia, mostrando taxas de resposta bastante promissores para a doença metastática, que ainda é bastante desafiadora”, diz o médico.

Quanto ao estudo na neoadjuvância, os resultados são mais iniciais e ainda não podem ser transpostos para a prática clínica, mas foi usada estratégia semelhante em pacientes com melanoma localizado, antes da cirurgia. Foram obtidas respostas patológicas completas, ou seja, regressão acentuada do melanoma, em até 30% dos casos.

 

Imunoterapia

Novamente, um dos tratamentos mais promissores contra o melanoma avançado, a imunoterapia, esteve no centro de diversos estudos. Um deles, o Checkmate 067, comparou os resultados dos imunoterápicos, ipilimumabe e nivolumabe usados individualmente e em conjunto, em pacientes com melanoma em estágio III IV não tratado cirurgicamente.

Os resultados mostram um panorama bastante favorável a essa modalidade terapêutica. Após seis anos e meio de seguimento, 49% dos pacientes que receberam a combinação de drogas estavam vivos. O percentual foi de 42% entre o grupo tratado com nivolumabe e 32% entre quem recebeu ipilimumabe. “Nos dois primeiros grupos, a proporção de pacientes vivos é superior a 40%, o que é realmente impressionante no melanoma avançado”, explica Dr. Rodrigo. “No caso dos pacientes tratados com a combinação de drogas, a mediana de sobrevida global superior a 70 meses, o que também é algo sem precedentes”, conta o médico.

Além disso, durante o congresso, foram apresentados os resultados de segurança e eficácia de três anos do Checkmate 511, estudo que avalia doses diferentes do nivolumabe combinado com ipilimumabe para pacientes com melanoma irressecável ou  metastático não tratado previamente.

Como a combinação dos medicamentos pode trazer efeitos colaterais significativos, o estudo avaliou um esquema modificado, com dose reduzida das drogas. Constatou-se que a diminuição realmente mostrou-se mais segura no ponto de vista de tolerância e aparentemente não trouxe prejuízo quanto à sobrevida global.

“Esses não eram desfechos primários, mas exploratórios, mas com taxa de resposta ligeiramente menor. Então, talvez para alguns pacientes com melanoma avançado para os quais pensamos na combinação, a redução de dose possa ser aplicada para aumentar a tolerância”, resume Dr. Rodrigo.

 

Terapias de resgate

Houve ainda a atualização do estudo Leap 004, trabalho que buscou terapias de resgate para pacientes com melanoma irressecável em estágio II ou IV, já tradados previamente. O trabalho propôs o uso do anticorpo monoclonal anti-PD1, o pembrolizumabe, em associação ao lenvatinibe, um inibidor de tirosina quinase. Percebeu-se, com esse esquema de resgate, atividade próxima de 30% em pacientes previamente tratados.

“Isso reforça o caminhar favorável das estratégias de resgate para quem falha na primeira linha com imunoterapia”, afirma Dr. Rodrigo. “Mas o estudo ainda não é definitivo, está em fase 2, com resultados que não resolvem problema para todos os pacientes. Apesar dessa atualização, precisamos de estratégias mais eficazes para pacientes que falham aos tratamentos que hoje são padrão”, conclui.

 

Terapia neoadjuvante

O estudo Checkmate Relativity 047, seguindo a eficácia demonstrada pela combinação de nivolumabe e relatlimabe para a doença metastática, avaliou a mesma estratégia no contexto pré-operatório neoajuvante e apresentou altas taxas de resposta patológica completa em pacientes de melanoma com envolvimento de linfonodo detectado clinicamente.

 Essa abordagem, segundo Dr. Rodrigo, ainda não é padrão, mas vem sendo objeto de pesquisas. “Mas ainda precisamos de estudos definitivos de neoadjuvância definindo a melhor dose e qual a estratégia em função da resposta do ponto de vista do tratamento pós-operatório”, afirma Dr. Rodrigo.

“De todo modo, os dados são animadores, com taxa de sucesso de regressão do melanoma com tratamento pré-operatório bastante alta e que de fato deve corresponder ao futuro do tratamento do melanoma locurregional para uma parcela de pacientes”, projeta o médico.

 

Tebentafuspe

Por fim, o congresso anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica incluiu estudo que trouxe atualização a respeito da droga tebentafuspe, a primeira a demonstrar ganho de sobrevida em pacientes com melanoma uveal, o qual é muito raro, com resposta distinta em relação aos tratamentos disponíveis – já que a imunoterapia não costuma funcionar da mesma forma.

Trata-se de atualização a pesquisa que havia sido apresentado, já em 2021, no congresso da AACR (Associação Americana para Pesquisa em Câncer). Na ocasião, foi mostrado estudo pivotal, de fase 3, que apontava ganho em sobrevida global com a molécula tabentafuspe. “Foi um grande avanço no melanoma uveal”, indica Dr. Rodrigo, em referência ao ganho de nível no tratamento da doença.

O congresso trouxe dados dos pacientes ao receber o tabentafuspe. “Curiosamente, o que se viu foi uma sobrevida melhor mesmo para aqueles que tiveram progressão de doença por imagem, quando comparado ao tratamento padrão, o que é um comportamento pouco usual para a nossa metodologia habitual de avaliação de eficácia em oncologia”, cita o médico.

Assim, é possível que esse quadro tenha relação com queda do DNA circulante, apesar da progressão por imagem, hipótese que ainda precisa ser esmiuçada. “Mas é um dado instigante que reforça a atividade do tabentafuspe que, se for aprovada formalmente, será a primeira terapia específica para o melanoma uveal”, conclui o oncologista.

 

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