Amanda Rodrigues Pasotti

Amanda e o marido, Rafael Pasotti, paciente de melanoma metastático

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No ano passado, a professora Amanda Rodrigues Pasotti sentiu o melanoma metastático na pele, ao acompanhar a jornada do marido, Rafael Pasotti, contra a doença. Até receber o diagnóstico da doença metastática, melanoma era uma palavra desconhecida para os dois. Rafael, que tinha um histórico de exposição ao sol,  chegou inclusive a tentar remover a “pinta feia” que tinha no braço com um spray de nitrogênio liquido, vendido livremente na farmácia.

Em seu relato para o Instituto Melanoma Brasil, Amanda rememora a trajetória do marido contra o melanoma metastático e aproveita para reforçar a importância de esclarecer a população sobre o câncer de pele mais perigoso. “Quanto mais eu puder falar, melhor”, afirma.  Conheça a história dela. 

“Meu nome é Amanda Rodrigues Pasotti, tenho 37 anos, sou professora e moro em Panorama, no interior de São Paulo. Meu marido se chamava Rafael, teria hoje 34 anos e era advogado, contador e pastor. Ele exercia as três profissões.
Meu marido tinha uma pinta no ombro esquerdo, que mudou bastante ao longo do tempo. Por diversas vezes eu pedi para que consultasse um dermatologista.  Mas, como ele não gostava de ir ao médico,  não podia nem ver sangue que já passava mal, acabou não procurando ajuda.

Uma vez, ele e meu cunhado tentaram ‘queimar’ a pinta com um spray de nitrogênio líquido vendido na farmácia, que as pessoas usam para remover verrugas. A pinta foi bastante agredida, o que se tornou um grande problema no futuro. Quando o Rafael enfim procurou um médico, a pinta já era um melanoma metastático estágio 4. Ele tinha metástase pulmonar, óssea e no sistema nervoso central. Segundo o oncologista, o uso do spray de nitrogênio líquido agravou a situação.

Nossa jornada começou em fevereiro do ano passado, quando fomos padrinhos de um casamento. Estávamos na fila do buffet e meu marido notou um sangramento no umbigo. Limpou, parou de sangrar, e continuou vivendo normalmente. Nessa época, ele tinha perdido 43 quilos após um processo de reeducação alimentar, virou atleta, com uma vida muito saudável.

No entanto, após o sangramento, começaram a aparecer caroços no corpo: no abdômen, embaixo do braço, no pescoço e embaixo da perna. E nós procuramos três médicos, que disseram que aquilo eram lipomas, “bolinhas de gordura” oriundas do emagrecimento.

Porém, um dia, o Rafa sentiu uma dor muito forte no rim direito. Fizemos exames e descobrimos que ele tinha hidronefrose, água parada no rim, e seria necessário colocar um cateter para poder filtrar essa água.
Procuramos um urologista, que ele também nos disse que os caroços espalhados no corpo eram lipomas, mas que o caroço do pescoço poderia ser  preocupante. Não descobrimos nada obstruindo o rim, nem sequer um cálculo renal. E os caroços começaram a aumentar.

Melanoma metastático 

Uma amiga nossa, dona da academia que  o Rafael frequentava nos orientou a procurar um hematologista. E foi o hematologista quem descobriu que meu marido tinha câncer. Ele examinou os caroços, que na verdade eram linfonodos alterados, e constatou vários linfonodos profundos, na região da garganta, virilha e axila. O dr. Bressa pediu outros exames, como raios-X e ultrassom, e os resultados já estavam relacionados a uma neoplasia.
O dr. internou meu marido em um hospital regional de Presidente Prudente, que fica a 1h30 da nossa cidade, para fazer tudo pelo SUS, inclusive a retirada do caroço do pescoço para uma biópsia.

Nesse intervalo, saiu uma consulta pelo AME (Ambulatório Médico de Especialidades) que eu tinha marcado para o meu marido, pois ele não aceitava pagar consulta com dermatologista, achava que não tinha nada de mais.
Na consulta só de olhar a pinta a dermatologista percebeu que era melanoma. Mandou o sinal para biópsia, que revelou um melanoma metastático estágio 4. Os resultados dos linfonodos do pescoço também indicaram relação com esse tumor.

Encontramos o Dr. Milton Barros, do A.C.Camargo Cancer Center, que foi quem acompanhou o meu marido e descobriu suas outras metástases. Ele tinha a mutação no gene BRAF, então podia fazer a terapia-alvo. Ele ganhou na Justiça e começou a tomar o remédio em menos de um mês. O medicamento chegou para o Rafa muito rápido, mas, infelizmente, como as metástases eram muito agressivas, ele desenvolveu um quadro de carcinomatose meníngea, que foi descoberto através de um exame de punção, onde foi retirado o liquor da medula que constatou 90% da medula tomada. A carcinomatose causou alguns sintomas no Rafa: dores de cabeça muito fortes, tontura, um soluço que era neurológico,  algumas convulsões, perda de memória,  sonolência e apatia. A carcinomatose acabou sendo a causa da sua morte, em 30 de setembro do ano passado.

Conscientização

Enfim, a história dele não teve o final que nós gostaríamos. Ao contá-la, minha intenção é alertar as pessoas. Afinal, tem muita gente que não faz ideia do que seja o melanoma, exatamente como nós, antes de receber o diagnóstico. As pessoas precisam ouvir nossa história para entender que melanoma é coisa séria, que é preciso se cuidar.
Ao longo da vida, o Rafael se expôs muito ao sol, que é o principal fator de risco para a doença. A nossa cidade já chegou a marcar 45 graus, e ele não gostava de usar protetor solar, por mais que eu falasse. Nós vivíamos praticamente na beira do rio, ele tinha barco e ia para lá quase todo fim de semana. Ele era bem branquinho e voltava muito vermelho, muito queimado, pois nãos se protegia. Essa atitude, infelizmente, teve consequências que nunca poderíamos imaginar.

Sempre posto no meu Instagram sobre a importância de cuidar da pele, de se proteger do sol e procurar dermatologista… Duas pessoas aqui da minha cidade descobriram melanoma em fase inicial, outras duas descobriram câncer de pele mais leve, carcinoma, por meio dos meus posts. Outras pessoas procuraram dermatologistas para investigar pintas e manchas na pele.

Se eu soubesse da gravidade do melanoma, com certeza eu teria obrigado o Rafa a ir ao médico. Afinal, a doença tem alta chance de cura quando descoberta e tratada no início.  E ele, além da exposição solar, tinha histórico de câncer de pele nos dois lados da família, outro fator de risco.  Hoje não descuido e faço acompanhamento no dermatologista com meus dois filhos. Não saio sem proteção e nem deixo os meus filhos saírem.

Fui muito feliz ao lado do Rafa. Além de marido, era meu melhor amigo. Eu até brincava dizendo que, ele era tão amigo que eu nem precisava de amigas. Juntos viemos 17 anos de muito aprendizado, amadurecimento e mudanças. Ele era muito amado pelas pessoas. Conhecido por sempre ajudar sem olhar a quem. Inspirada em tudo que vivemos, tento orientar e conscientizar outras pessoas. Sei que nossa história pode ajudar a salvar muita gente. Quanto mais eu puder falar, melhor.”

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