EU SENTI NA PELE – Soraia Nakano

Aproximadamente 58,4% dos pacientes de melanoma nunca tinham ouvido falar da doença antes do diagnóstico, segundo pesquisa feita pelo Instituto Melanoma Brasil. Com Soraia Nakano, designer de jóias e voluntária do Melanoma Brasil, não foi diferente. Ela desconhecia o fato de uma simples pinta desencadear um câncer e ficou surpresa ao descobrir que um nevo, presente há mais de 15 anos em sua coxa direita, fosse melanoma. Acompanhe a história de Soraia:

         “Eu nem sei precisar por quantos anos essa pinta me acompanhava. Ela nunca me incomodou a ponto de querer retirá-la e sempre pensava ‘melhor uma pinta, do que uma cicatriz’. Até que em janeiro deste ano, meu marido estranhou sua coloração, estava preta, e sugeriu que eu agendasse uma consulta médica. Foi surpreendente, pois meu marido não é médico e também desconhecia o melanoma, mas ficou preocupado.

         Depois do alerta, passei a observar melhor e notei uma textura diferente, a pinta estava com relevo. Porém, antes de ir ao médico, tirei uma foto e mandei para um grupo de mães do qual participo no Facebook.  Recebi vários retornos dizendo para eu buscar opinião médica. Entre as mães, uma delas era dermatologista e pediu que fosse ao seu consultório, pois queria me examinar. Confesso ter ido somente pelo fato de a doutora ter se prontificado. E já na consulta ela sugeriu a extração. Eu não queria, mas ela insistiu. Acabei tirando a pinta e no dia do retorno, recebi uma ligação do consultório antecipando a consulta a pedido da médica. Achei tudo aquilo um exagero, fui mesmo contrariada e foi quando recebi o diagnóstico de melanoma.

         Ela me explicou sobre a doença e me encaminhou para um especialista, que ela mesma já havia agendado. Mesmo ouvindo as explicações, aquilo não me preocupou, pelo fato de sempre ter achado que câncer de pele fosse algo tratável. Mas ao chegar em casa, fiz como a maioria faz, entrei no Dr. Google e vasculhei tudo sobre o assunto e me desesperei. Lembro a primeira página que encontrei, foi o blog Um melanoma em minha vida, da Juliana Moro, vice-presidente do Instituto. Tudo que li me emocionou muito.

         O primeiro exame identificou que o meu tipo melanoma era um Clark 4, quando o tumor está com um nível de profundidade próxima aos linfonódos. Neste momento, entrei em pânico e imaginei a possibilidade de o câncer já ter se espalhado pelo corpo. Os dias seguintes foram horríveis, chorei muito até voltar a me consultar novamente. Por sorte, levei a foto tirada antes da extração da pinta. Ao analisar, o médico me tranquilizou e disse parecer um nevo atípico, mas que o diagnóstico seria confirmado em nova análise da lâmina. Como tive dois diagnósticos diferentes, achei importante buscar uma terceira opinião. Fui ao AC Camargo e lá tive a confirmação do melanoma, porém, com um Clark 2.

         Sai da consulta muito confiante. Empoderada com a informação, mas me questionei pelo fato de nunca ter ouvido falar em melanoma. A gente tem acesso a tanta informação, por que desconhecia o fato de uma simples pinta desencadear um câncer?! Imediatamente fiz um post gigante para falar sobre o que estava passando e de como eu me sentia. Sempre fui muito discreta, mas precisava mostrar minha história para conscientiza as pessoas sobre o melanoma. Foi impressionante como muitas pessoas não conheciam a doença.

         Recebi muitas mensagens de pessoas conhecidas falando de suas pintas e pedindo contato de dermatologistas. Foi aí que comecei a pesquisar grupos e achei o Melanoma Brasil. Entrei em contato com a Rebecca, contei minha história e já me coloquei à disposição para fazer parte do quadro de voluntários.

         Graças ao diagnóstico precoce tive a sorte de descobrir o melanoma no estágio inicial e hoje estou curada. Passei apenas por uma cirurgia, de ampliação de margem, e não precisei tomar medicamentos via oral. Sigo com companhamento médico e redobrei os cuidados durante exposição solar. Além disso, fazer parte do Melanoma Brasil e um privilegio e quero fazer muito mais pela conscientização desta doença”.

 

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