Entrevista – Dr Rodrigo Munhoz

Segundo estimativa do INCA, em média 6 mil novo casos de melanoma são diagnosticados por ano no Brasil. Cirurgia? Radioterapia? Terapia alvo? Imunoterapia? Qual estratégia e melhor tratamento a ser adotado? Rodrigo Munhoz, médico oncologista do Hospital Sírio Líbanes e membro do nosso Comitê Científico, tira essas e outras dúvidas sobre os tratamentos para combater o melanoma. Veja abaixo entrevista completa:

Melanoma Brasil – O que há de novo em relação aos tratamentos do câncer melanoma?

Rodrigo Munhoz: O tratamento do melanoma vem sofrendo mudanças muito profundas na última década. Significativos avanços ocorreram nas técnicas de diagnóstico e do tratamento cirúrgico do melanoma. Porém, talvez a maior revolução tenha sido observada nos medicamentos oferecidos para o tratamento desse tipo de câncer de pele: a incorporação da terapia-alvo para pacientes com uma alteração específica do tumor, a mutação do gene BRAF, quanto da imunoterapia, trouxe novas perspectivas para pacientes com doença avançada e, mais recentemente, para pacientes tratados com cirurgia, mas de alto risco para volta do tumor (tratamento adjuvante).

Melanoma Brasil – Atualmente o paciente com melanoma no Brasil conta com quantos tipos de tratamento?

Rodrigo Munhoz: Além da cirurgia, radioterapia e quimioterapia, hoje o paciente com melanoma é candidato ao uso da terapia-alvo com inibidores do BRAF/MEK em casos selecionados, além da imunoterapia. Outras técnicas ainda não disponíveis no Brasil incluem o uso de um herpes vírus modificado de nome T-VEC, e estratégias experimentais, como uso da terapia celular adotiva com linfócitos tumorais infiltrastes. 

Melanoma Brasil: Quais os tratamentos disponíveis para os pacientes que tratam o melanoma pelo Sistema Único de Saúde e por meio dos planos de saúde?

Dr. Rodrigo Munhoz: A maioria dos tratamentos está disponível por meio do Plano de Saúde Suplementar. Então, pacientes com plano tem acesso a maior parte desses procedimentos, exceto para uma das combinações que ainda não foi incluída no rol de cobertura obrigatória da Agência Nacional de Saúde (ANS). Infelizmente no Sistema Único de Saúde (SUS) a realidade é diferente. Temos uma restrição. A maior parte destes tratamentos não está à disposição da população. O que a gente tenta, é disponibilizar esses procedimentos através de protocolos de pesquisa, de estudos, permitindo que a população tenha acesso a esses tratamentos.

Melanoma Brasil – Como é definido qual tipo de tratamento o paciente vai receber? E por quanto tempo?

Rodrigo Munhoz: A decisão pelo tipo de tratamento é complexa, e depende de características do tumor, situação/extensão da doença, características do paciente, aspectos moleculares, entre outros. O tempo também é variável, e pode ser influenciado pela magnitude de resposta obtida. É de fundamental importância a discussão desses aspectos com a equipe médica do paciente. 

Melanoma Brasil – É possível indicar mais de um tratamento para um paciente?

Rodrigo Munhoz: Algoritmos que combinam diferentes formas de tratamento já são utilizados na prática clínica, e outros estão em desenvolvimento. Muitos pacientes, hoje, são candidatos a cirurgia e terapia combinada com medicamentos ou radioterapia, por exemplo. Outros, a diferentes medicamentos combinados.  

Melanoma Brasil – Qual a diferença entre terapia alvo e imunoterapia?

Rodrigo Munhoz: Na terapia-alvo, são utilizados medicamentos específicos que bloqueiam uma alteração particular no DNA do tumor, uma mutação. Habitualmente, são medicamentos de uso oral que impedem o crescimento e proliferação das células tumorais que apresentam essa mutação – no caso do melanoma, o principal alvo é a mutação do gene BRAF, que acontece em aproximadamente metade dos pacientes. Pacientes que não apresentam esse alvo não se beneficiam do tratamento, Na imunoterapia, em contrapartida, não se trata o tumor, mas sim o sistema imunológico do paciente – busca-se estimular ou manipular as células de defesa do próprio paciente para que elas possam reconhecer e combater o câncer com maior eficiência. 

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