Um estudo clínico internacional trouxe novos dados sobre a vacina terapêutica para melanoma que usa a tecnologia de mRNA. Após cinco anos de acompanhamento, os resultados indicam que a combinação da vacina com o imunoterápico Pembrolizumabe reduziu de forma significativa o risco de retorno da doença e de morte em pacientes com alto risco de recorrência. A pesquisa foi realizada pelos laboratórios Moderna e MSD.
Participaram dessa fase do estudo 157 pacientes com melanoma em estágios III e IV que já haviam passado por cirurgia para retirada do tumor, mas apresentavam alto risco de recorrência.
Segundo a análise divulgada pelos laboratórios, após cinco anos de acompanhamento:
- A combinação da vacina com o Pembrolizumabe reduziu em 49% o risco de recorrência ou morte, quando comparada ao uso isolado da imunoterapia.
- O benefício foi mantido ao longo de todo o período, sugerindo uma resposta imunológica duradoura.
- O perfil de segurança da combinação foi considerado consistente, sem surgimento de novos efeitos adversos relevantes.
Esses dados correspondem ao acompanhamento de longo prazo da fase 2 do estudo clínico, a segunda de três etapas. A fase 3, última antes de um possível pedido de aprovação regulatória, começou em 2023 e está prevista para ser concluída por volta de 2030.
Como funciona a vacina para melanoma?
O estudo envolveu um grupo específico: pacientes com melanoma em estágios III ou IV, já submetidos à cirurgia para remoção do tumor, mas que apresentavam alto risco de a doença voltar.
Diferentemente das vacinas preventivas, essa é uma vacina terapêutica, ou seja, desenvolvida para tratar o câncer já existente. Trata-se de uma terapia altamente individualizada. O processo envolve:
- O sequenciamento genético do tumor de cada paciente;
- A identificação de proteínas específicas (antígenos) presentes naquele melanoma;
- A produção de uma vacina personalizada que “ensina” o sistema imunológico a reconhecer e atacar aquelas células tumorais específicas.
A tecnologia utilizada é a de RNA mensageiro (mRNA), a mesma empregada nas vacinas contra a Covid-19. No entanto, aqui o objetivo não é prevenir uma infecção, mas estimular o sistema imune a combater o câncer.
No estudo, a maioria dos participantes recebeu a vacina personalizada mRNA-4157 associada ao Pembrolizumabe (imunoterápico inibidor de PD-1), enquanto o grupo de controle foi tratado apenas com o imunoterápico.
Um avanço, mas ainda não um tratamento disponível
Entretanto, apesar dos resultados animadores, a vacina é um tratamento experimental, em fase de estudos clínicos, que não está disponível comercialmente em nenhum país. A conclusão da fase 3 do estudo será essencial para confirmar eficácia, segurança e viabilidade de uso em maior escala.
Além disso, por se tratar de uma vacina personalizada, questões como custo, logística de produção e infraestrutura necessária para produção ainda devem ser avaliadas.

