O Hospital de Amor, em Barretos (SP), inaugurou o Centro de Tratamento de Melanoma Uveal, ampliando o acesso à braquiterapia ocular no Sistema Único de Saúde (SUS) e estruturando um fluxo integrado de diagnóstico, tratamento e análise molecular para esse tipo raro e agressivo de câncer ocular.
O melanoma uveal é um subtipo raro e pouco conhecido, que representa entre 3% e 5% dos casos de melanoma e atinge a úvea, camada intermediária do globo ocular. Apesar de pouco frequente, é bastante agressivo. Até 50% dos pacientes podem desenvolver metástases, principalmente hepáticas, em até cinco anos, especialmente quando houver diagnóstico tardio.
No Brasil, particularmente no SUS, ainda há pouca disponibilidade de centros especializados na doença. A inauguração do centro em Barretos amplia o acesso à braquiterapia ocular, com tecnologia que permite tratar tumores maiores e com menor impacto sobre tecidos saudáveis.
Braquiterapia ocular: como funciona
A braquiterapia ocular é uma modalidade de radioterapia interna. Diferentemente da radioterapia convencional, a radiação não é emitida por uma fonte externa.
No procedimento, uma placa contendo sementes radioativas de Iodo-125 é posicionada cirurgicamente sobre o globo ocular, na área correspondente ao tumor. A radiação é direcionada de forma precisa à lesão, e a placa permanece no local por 2 a 7 dias, conforme o tamanho e as características do tumor. O objetivo é controlar o tumor com taxa de eficácia semelhante à enucleação (remoção do olho), preservando o olho sempre que possível, minimizando efeitos colaterais e danos à visão.
O Hospital de Amor passa a operar com placas de braquiterapia e sistema de planejamento de última geração, permitindo tratamentos individualizados. Além do melanoma uveal, a técnica poderá ser indicada para outros tumores intraoculares, como retinoblastoma, hemangiomas, metástases e carcinomas, quando houver indicação clínica.
Análise molecular e medicina de precisão
O Centro foi estruturado a partir de um projeto vinculado ao Programa Nacional de Genômica e Saúde Pública de Precisão – Genomas Brasil, com financiamento do Ministério da Saúde.
Além do tratamento local do tumor, o projeto inclui:
- Análise molecular do melanoma uveal.
- Classificação prognóstica avançada.
- Uso de inteligência artificial para estratificação de risco.
A caracterização molecular permite identificar pacientes com maior risco de metástase, especialmente hepática, possibilitando seguimento mais próximo e individualizado. Esse é um ponto crítico no cuidado do melanoma uveal, já que a metástase é o principal fator associado à mortalidade da doença.
Quem pode ser encaminhado
O Centro de Tratamento de Melanoma Uveal passa a receber não apenas pacientes já acompanhados pelo Hospital de Amor, mas também casos encaminhados por outras instituições. Os critérios para encaminhamento: são tumores com menos de 10 mm de altura; tumores com menos de 16 mm de base e ausência de doença metastática.
Médicos que acompanham pacientes com diagnóstico confirmado de melanoma uveal podem encaminhar relatórios para avaliação da equipe do hospital, conforme o processo a seguir:
- Reunir relatórios médicos e documentação clínica;
- Incluir dados pessoais e clínicos do paciente;
- Enviar as informações por e-mail com o assunto “Melanoma Uveal” para agendamentoss@hospitaldeamor.com.br. A equipe do Hospital de Amor analisará a documentação para definir elegibilidade ao tratamento.

