Os transplantes de órgãos são realizados há mais de 50 anos no Brasil, e tiveram avanços notáveis nas últimas décadas, com aumento significativo da sobrevida dos pacientes. Porém, o uso prolongado de medicamentos imunossupressores, essenciais para evitar a rejeição ao órgão transplantado, aumenta a chance de problemas como reações cutâneas adversas, fotossensibilidade, tumores malignos e pré-malignos.

O câncer de pele é o tipo de câncer mais comum nos pacientes transplantados. Nesse grupo, o tumor cutâneo mais frequente é o carcinoma espinocelular. Normalmente, as lesões surgem de dois a quatro anos após o transplante. Pacientes que se submeteram ao procedimento com mais de 40 anos ou que tinham histórico de tabagismo ou consumo excessivo de álcool têm risco maior de desenvolver a doença.

Como os cânceres de pele são complicações bem estabelecidas após o transplante de órgãos, é necessário um envolvimento multidisciplinar, com acompanhamento dermatológico periódico de pacientes nessa condição. Isso facilita o diagnóstico precoce e o tratamento adequado.  

 

Vale lembrar que o câncer de pele aparece mais precocemente e com maior agressividade nos pacientes transplantados do que nas pessoas que estão com suas funções imunológicas íntegras. Por isso, além do acompanhamento dermatológico e da observação constante das pintas e sinais na pele, é fundamental apostar em medidas de prevenção: evitar a exposição ao sol nos horários de pico, usar diariamente o filtro solar e complementar esses cuidados com o uso de óculos escuros, chapéus, roupas e outros acessórios.