Um novo sistema de pontuação pode ajudar a prever a resposta dos pacientes de melanoma a medicamentos conhecidos como inibidores de checkpoint, diz estudo publicado na revista Nature Medicine.

Agentes terapêuticos que reforçam a resposta das células imunológicas contra as células cancerosas têm se mostrado uma opção animadora para o tratamento do melanoma. Nessa categoria se enquadram os inibidores de checkpoint, tipo de imunoterapia que bloqueia as proteínas que impedem o sistema inume de atacar as células cancerosas.

No entanto, apesar dos bons resultados, o sucesso do tratamento depende, em grande medida, do próprio paciente, e não são todos os que respondem a esse tipo de terapia.  A pesquisa publicada na Nature Medicine ajuda a prever quem poderia se beneficiar da medicação e, assim, oferecer uma orientação mais precisa aos pacientes.

Os pesquisadores do National Cancer Institute, nos Estados Unidos, desenvolveram uma ferramenta de pontuação imuno-preditiva (IMPRES, na sigla em inglês) que permite distinguir quem pode ou não responder bem a essa terapêutica. Para tanto, buscaram “pistas” em casos nos quais o sistema imunológico desenvolve espontaneamente uma boa resposta ao câncer, levando à regressão do tumor.

Para tanto, os autores analisaram o neuroblastoma (tipo de tumor cerebral que, em geral, regride espontaneamente em crianças pequenas) em 108 pacientes. Dentre os casos analisados, havia tanto tumores que regrediram espontaneamente quanto tumores com alto risco de progressão.

Isso permitiu identificar características de expressão gênica que diferenciavam os pacientes com a doença não regressiva dos pacientes com a doença progressiva e, assim, construir o sistema de pontuação. A expressão gênica é o processo pelo qual a informação contida num gene é processada para criar um produto funcional, como a proteína.

O sistema usa pontuação de zero a 15, no qual a pontuação mais elevada prevê a regressão espontânea do tumor. Os pesquisadores aplicaram o IMPRES a  um conjunto independente de dados sobre pacientes de melanoma, para ver se a ferramenta conseguia prever respostas nesses casos.

Como resultado, descobriram que o IMPRES conseguia identificar padrões de resposta imunológica em diferentes subconjuntos de casos da doença. No total, foram analisadas 297 amostras, provenientes de diversos estudos, incluindo as que tinham sido tradas com inibidores de checkpoint anti-CTLA-4 ou anti-PD-1 (ou com uma combinação de ambos).

O sistema identificou, com acurácia de 77% a 96%, os pacientes que responderam ao tratamento. Trata-se de um número expressivo quando comparado a outros mecanismos preditivos, cuja acurácia oscila entre 30 e 80%.

 Assim, o IMPRES pode se tornar uma nova ferramenta para auxiliar os médicos a encontrar a melhor estratégia terapêutica, já que, com o sistema, fica mais fácil entender por que uma terapia específica funciona bem em um paciente e não em outros. No entanto, para atestar o potencial de predição e iniciar o uso da ferramenta, ainda é necessário fazer novos estudos em outros tumores tratados com inibidores de checkpoint.