Pesquisadores australianos anunciaram na última quarta-feira (18), um novo teste sanguíneo que pode detectar o melanoma em estágio inicial. Em fase experimental, a novidade pode ajudar a salvar vidas, pois o melanoma é um tipo de câncer agressivo, com grande facilidade de produzir metástases, e o exame ajuda a detectá-lo antes que se espalhe para outros órgãos do corpo.

O trabalho, realizado por pesquisadores da Universidade Edith Covan, foi publicado pela revista “Oncotarget”. A pesquisa reuniu 105 pacientes de melanoma e 104 pessoas saudáveis. O exame de sangue experimentado permitiu fazer o diagnóstico precoce do melanoma em 79% dos pacientes, segundo os autores do trabalho.

 “O teste foi elaborado com a identificação de anticorpos que têm por alvo proteínas relacionadas ao melanoma, o que permite identificar essa interação do melanoma com o sistema imune e a partir daí identificar quais indivíduos têm a doença ou não”, explica Dr. Dr. Rodrigo Munhoz, oncologista clínico e membro do comitê científico do Instituto Melanoma Brasil. No total, os pesquisadores examinaram 1.627 tipos de anticorpos, para identificar uma combinação de dez deles, a mais apta para assinalar a presença da neoplasia.

A novidade é promissora, pois possibilita diagnosticar o melanoma em um estágio inicial, quando tem mais de 90% de chance de cura. Em estágios avançados, essa possibilidade diminui consideravelmente. Apesar de representar 5% dos casos de câncer de pele, o melanoma é o tipo mais perigoso, com maiores taxas de mortalidade. No Brasil, são mais de 6 mil casos e 1500 óbitos por ano. A Austrália é o país com a maior incidência da doença no mundo.

Atualmente, o melanoma é detectado por meio de um exame clínico. Quando encontra uma lesão suspeita, o médico solicita uma biópsia. Como em alguns casos pode ser difícil diferenciar um melanoma inicial de uma pinta, o novo exame ajuda o profissional a confirmar a doença antes de solicitar a biópsia.

Dr. Rodrigo Munhoz acredita que o exame representa um avanço, mas deve ser avaliado com cautela. “É um teste experimental, realizado em uma plataforma ainda não amplamente disponível, comparando indivíduos que sabidamente já tinham melanoma com um grupo de controle sadio”, pontua ele.  “Além disso, a sensibilidade e a especificidade, ou seja, a capacidade de detecção do teste, não foram perfeitas”, prossegue. O método precisa passar por um longo processo de validação para se consolidar como uma ferramenta de diagnóstico precoce.

“Não sabemos como o exame vai se comportar em pacientes que têm alto risco e ainda não tiveram melanoma, por exemplo, ou em pacientes que têm lesões pré-malignas que não se transformaram em melanoma”, explica Dr. Rodrigo. “Também não se sabe como será absorvido pelo mercado em termos de complexidade de realização. É uma boa notícia, que abre novas portas para o diagnóstico precoce, mas está em uma etapa inicial”.

Para responder essas e outras questões, os pesquisadores australianos trabalham em um novo estudo clínico, a fim de aumentar a acurácia do exame para 90%. A expectativa esteja disponível para uso médico em cinco anos.